Cornucópia

O cami­nho é sem­pre longo
O des­tino sem­pre incerto
Na vida,
Na noite,
Essa mor­daz cati­vante incer­teza
Atrai-me cada vez mais
Para relâm­pa­gos de lou­cura
Fei­tos de açú­car, como o teu beijo

Viva a incer­teza!
Viva a lou­cura!
Viva a apos­ta­sia!
Viva o peito inchado de quem ama!
Viva a noite e viva o dia!
Viva a jus­tiça que pensa!
Viva a jus­tiça que sente!
Viva a Paz e o Amor!
Viva o abraço de um amigo!
Viva o cép­tico e o actor!
Viva o Tudo e viva o Nada!
O tempo é de vivas, caramba
Por isso, dêmos vivas até ao açú­car,
E aos bei­jos tro­ve­jan­tes que nos lem­bram
Que a única incer­teza que nos dói
É aquela de nós, no tempo e no espaço

Ah, o tempo, esse fan­tasma,
Espé­cie de antí­doto das ilu­sões
Que nos ali­men­tam o ego,
A pre­guiça e a inexperiência

Ah, o espaço, esse gigante,
Razão por­que me movo
E mer­gu­lho o meu que­rer
Num eterno ápice de nós

Qual­quer pen­sa­mento merece a aten­ção do mundo.

(2012/01/19)

Sem Tempo

Empobreci-me ontem,
Ontem quando o tempo se extin­guiu
Sem tempo, nem tempo resta para a dor
Ou para o pra­zer do seu términos…

Que angús­tia! Quero tempo de sobra
Para me ocu­par de coi­sas fúteis e cui­dar de nós.

(2011/09/26)

Eclipse

Eclipse,
Tu és como um eclipse…
Quanto maior o mis­té­rio que pro­vo­cas
Mais te que­rem e desejam

Quem és tu, afi­nal?
Uma ilu­são de ótica
Capaz de mal­tra­tar a robó­tica do meu cora­ção
Ou uma sim­ples coin­ci­dên­cia cós­mica
Na pro­por­ci­o­na­li­dade do tama­nho e da dis­tân­cia
Com que estás frente a mim?

Tu és um eclipse.
Nunca sejas parcial!

(2011/07/01)

O meu egoísmo

Sei onde vais bus­car essa velo­ci­dade louca
Com que cres­ces e desa­pa­re­ces
Tão depressa, na tua identidade

Sei onde ganhas essa força e cora­gem
Com que me olhas nos olhos,
Tão con­victa da tua liberdade

Sei onde bebes o eli­xir da pai­xão
Com que enfren­tas a vida
Tão isenta de qual­quer ansiedade

Se algum dia pare­cer que não sei,
Finge ape­nas que acre­di­tas…
Sabes, o meu egoísmo tam­bém existe
E pre­cisa tanto de ti!

(2011/06/24)

A Distância

A dis­tân­cia mais curta entre dois pon­tos
É de cer­teza a razão
Se os pon­tos forem de inter­ro­ga­ção
E esti­ver um a seguir ao sim
E outro a seguir ao não

(2011/06/21)

Ao escrever, a única certeza que tenho é que nem as letras nem as palavras se esgotam. Continuam lá, disponíveis.