Alvorada no teu corpo
Madrugada de paixão
Noite quente, dia novo
Calor, seio, cama e chão
Almofada em tua pele
Rosa brava de cetim
A caricia que te faço
Refletes tu em mim
Vinho doce, leite quente
Por magia e por amor
Quem derrama sempre sente
Por suas veias fervor
Mar aceso num repente
Chama branca em teu louvor
(95/8)
Um poeta
Nem sempre o é,
E a poesia não vem gratuitamente!
Há dias que apenas servem o preço da vida
Real, crua e inconfundível.
A vida é mera prosa;
A poesia, os seus espasmos de prazer!
(2011/06/19)
Já não sou o que antes fui
Nem sou ainda o que serei,
Deixei de ser o que entretanto fora
Na expectativa do que entretanto vier a ser
Em todos os tempos eu,
Em todos os tempos versões de mim
Tantas delas insuportáveis,
Tantas delas já inatingíveis…
Eu de hoje, apresento-te o eu de ontem…
Confundam-se e apresentem-me alguém que fuja à regra!
Eu sou continuum metamorfose!
(2001/05/26)
Aí não tocas que é meu e só meu!
Não toques aí nem que seja só com o teu pensamento,
Com a tua curiosidade ou boa-vontade
Nada do que faças virá alterar o estado,
esse estado fatídico,
Que faz o que é meu ser apenas meu,
Totalmente impartilhável
Nem palavras, nem outro qualquer gesto,
por consolo ou gratidão,
Conseguirão alterar o estado
Desta minha teimosa propriedade
Por isso, vai, desaparece…
Deixa-me a sós com a muito minha incerteza!
(2011/05/21)
Em ti,
de forma insuspeita,
nasce a loucura de ter a certeza
que amanhã será sempre melhor
Em ti,
de modo discreto,
nasce a mistura entre a beleza,
o saber, a eficiência e o amor
Em ti,
à hora exacta.
nasce e renasce a riqueza
da carne rosa e quente em fervor
Em ti,
à laia de ironia,
nasce para nós a tristeza
de que o efémero é um mal menor
(2011/05/18)
Ao escrever, a única certeza que tenho é que nem as letras nem as palavras se esgotam. Continuam lá, disponíveis.